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OCDE

Método CUP – Tudo sobre o cálculo de TP

  • 21/06/2026
  • Silvio Petrini

 

O método CUP (Comparable Uncontrolled Price — Preço Não Controlado Comparável) é um dos cinco métodos de transfer pricing reconhecidos pelas Diretrizes da OCDE e considerado o mais direto para testar o princípio arm’s length em transações controladas. No Brasil, seu equivalente é o método PIC (Preço Independente Comparável), adotado formalmente pela Lei nº 14.596/2023.

O que é o método CUP?

O método CUP verifica se o preço de uma transação controlada (entre partes relacionadas) é compatível com o preço de uma transação comparável realizada entre partes independentes — o chamado preço arm’s length.

Segundo as Diretrizes da OCDE, o CUP pertence à categoria dos métodos tradicionais de transação, junto com o RPM (Resale Price) e o Cost Plus. Esses métodos analisam diretamente os preços e margens das transações, em contraste com os métodos de lucro transacional (TNMM e Profit Split), que analisam indicadores de rentabilidade.

CUP Interno vs. CUP Externo

Existem duas formas de aplicar o método CUP:

Tipo Descrição
CUP Interno Compara a transação controlada com uma transação que a própria empresa realiza com partes independentes (mesmo produto ou serviço)
CUP Externo Compara a transação controlada com transações realizadas entre duas empresas independentes (dados de mercado ou bancos de dados públicos)

 

O CUP Interno é geralmente preferido por ser mais direto e menos sujeito a ajustes. O CUP Externo exige maior análise de comparabilidade, mas pode ser muito robusto quando há dados de mercado confiáveis.

O exemplo abaixo mostra a diferença entre os dois tipos de métodos CUP:

Método CUP

 

Exemplo prático do método CUP

Uma empresa X fabrica o liquidificador “MultiClean 3.0” e o vende tanto para a distribuidora Y (parte relacionada com o mesmo acionista Z) quanto para distribuidoras independentes. Para testar o arm’s length da venda para Y, X pode:

  1. CUP Interno: comparar o preço que cobra de Y com o preço que cobra de distribuidoras independentes pelo mesmo produto. Essa é a opção mais simples e geralmente mais aceita pelas autoridades fiscais.
  2. CUP Externo: comparar o preço com o que uma empresa independente (ex.: concorrente com produto de características equivalentes) cobra de seus distribuidores independentes.

Ambas as abordagens são válidas. A escolha depende da disponibilidade e qualidade dos comparáveis.

Quando usar o método CUP?

O CUP é o método mais confiável e direto, mas depende da existência de transações suficientemente comparáveis. Fatores que afetam a comparabilidade incluem:

  • Características físicas do bem ou serviço
  • Termos contratuais (volume, prazo, condições de pagamento)
  • Mercado geográfico
  • Momento da transação

Na prática, o CUP é amplamente utilizado em:

  • Commodities: quando há cotações públicas em bolsas de mercadorias (ex.: petróleo, soja, minério de ferro), o preço de cotação serve como referência confiável de CUP Externo
  • Contratos financeiros: empréstimos intercompany, onde taxas de mercado (ex.: curvas de juros, credit ratings bancários) fornecem comparáveis externos
  • Propriedade intelectual: royalties por marcas ou licenças quando há transações comparáveis publicamente disponíveis

Método CUP e commodities: o PIC no Brasil

Para transações com commodities, o método CUP — e seu equivalente brasileiro, o PIC (Preço Independente Comparável) — é geralmente o método mais apropriado, desde que existam preços de cotação independentes e confiáveis.

A Lei nº 14.596/2023 e a IN RFB nº 2.161/2023 destacam especificamente o PIC/CUP para commodities, com atenção especial à data de precificação (o momento de referência para o preço de cotação). Essa data é fator central para evitar distorções e manipulações.

Além do método, empresas que realizam transações controladas com commodities devem registrar essas operações no Registro de Transações com Commodities (RTC) no e-CAC, conforme a IN 2.161/2023, alterada pela IN RFB nº 2.246/2024 — com prazo até o 10º dia do mês subsequente ao da celebração do contrato.

Atenção: no regime anterior à Lei 14.596/2023, as commodities eram tratadas pelos métodos PCI (importação) e PECEX (exportação), com margens fixas. Esses métodos foram extintos com o novo regime, que passou a adotar o PIC/CUP como referência para commodities.

Os 5 métodos OCDE e suas equivalências no Brasil

Método OCDE Equivalente brasileiro Categoria
CUP – Comparable Uncontrolled Price PIC – Preço Independente Comparável Tradicional
RPM – Resale Price Method PRL – Preço de Revenda menos Lucro Tradicional
Cost Plus MCL – Custo mais Lucro Tradicional
TNMM – Transactional Net Margin Method MLT – Margem Líquida da Transação Lucro transacional
PSM – Profit Split Method MDL – Divisão do Lucro Lucro transacional

 

O novo regime brasileiro adota o critério do método mais apropriado: não há hierarquia rígida entre os métodos, e a escolha deve refletir a análise funcional da transação (funções, ativos e riscos — FAR) e a disponibilidade de dados comparáveis confiáveis.

Conclusão

O método CUP é o ponto de partida ideal quando há comparáveis confiáveis disponíveis — especialmente em commodities, transações financeiras e alguns casos de propriedade intelectual. Seu equivalente brasileiro, o PIC, ocupa o mesmo papel central no regime atual inaugurado pela Lei 14.596/2023.

Acompanhe o blog da TP Digital para mais análises sobre os métodos de transfer pricing, ou fale com nossa equipe para avaliar qual método é o mais apropriado para as transações da sua empresa.

Foto de Silvio Petrini
Silvio Petrini
Com quase duas décadas de experiência na área de preços de transferência, tracei como objetivo criar uma comunidade para discussão, disseminação e desmistificação do transfer pricing no Brasil. Através deste blog, trazemos uma linguagem leve e didática, desde os principais conceitos básicos, até assuntos mais complexos envolvendo o tema. Não deixe de se inscrever em nossa newsletter, curtir, comentar, sugerir e criticar. Vamos juntos criar a maior comunidade de TP do Brasil.
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