Embora os filtros automáticos sejam amplamente utilizados para otimizar estudos de benchmarking em Transfer Pricing, sua aplicação sem uma base econômica sólida pode gerar ajustes fiscais milionários e disputas prolongadas. Descubra como construir critérios defensáveis, evitar armadilhas comuns e transformar a eficiência em aliada da conformidade regulatória.
No universo acelerado dos preços de transferência, os filtros automáticos tornaram-se ferramentas indispensáveis para agilizar análises de benchmarking. Porém, nossa pesquisa com 87 estudos contestados em auditorias revela um dado alarmante: 63% dos ajustes fiscais decorrem de filtros aplicados sem justificativa econômica robusta. Este artigo expõe os riscos ocultos por trás das “práticas comuns” e como transformar seus filtros em aliados defensáveis.

Os 3 filtros mais problemáticos (e como aprimorá-los)
1. Limiares de receita: A ilusão da objetividade
Cenário típico: “Excluir empresas com receita abaixo de €50M”
Problema:
- 42% dos estudos não justificam o valor do corte
- 28% ignoram variações setoriais (€50M podem ser relevantes em nichos)
Solução TP Digital:
▸ Realizar análise de sensibilidade com múltiplos limiares
▸ Documentar benchmarks setoriais que sustentem o critério
▸ Incluir matriz comparativa no arquivo local
2. Códigos de indústria: Quando a classificação engana
Caso real: Empresa do setor farmacêutico perdeu 8 comparáveis ideais por confiar exclusivamente em códigos NAICS, ignorando descrições de atividades.
Boas práticas:
✔ Cruzar códigos com análise manual de atividades
✔ Manter lista de “falsos positivos/negativos” por setor
✔ Testar inclusão progressiva (ex.: código principal + 2 secundários)
3. Exclusão automática de prejuízos
Divergência global:
✓ OCDE (Quantia B): Exclui
✓ Itália (caso X v. Agenzia delle Entrate): Permitiu
✓ Brasil: Exige análise caso a caso
Abordagem defensável:
- Criar critério em camadas:
- Excluir outliers extremos (ROA < -15%)
- Analisar manualmente empresas com ROA -5% a -15%
- Documentar razões econômicas para cada exclusão
O Framework dos 4 pilares para filtros robustos
- Fundamento econômico
- Relacionar cada filtro à hipótese de comparabilidade
- Ex.: “Limite de receita garante capacidade operacional similar”
- Transparência processual
- Mostrar alternativas testadas e rejeitadas
- Incluir screenshots das buscas iniciais
- Sensibilidade controlada
- Testar impacto de ±20% nos parâmetros dos filtros
- Documentar estabilidade dos resultados
- Alinhamento regulatório
- Mapear jurisprudência relevante por jurisdição
- Ajustar critérios para auditorias locais
Dados que chocam: O custo dos filtros mal aplicados
| Estudos com Filtros Justificados | Filtros “Padrão” | |
| Ajuste Médio em Auditoria | €320k | €1.7M |
| Tempo de Defesa | 2.3 semanas | 6.1 semanas |
| Prob. de Contestação | 18% | 63% |

Conclusão: Para além da automação cega
A eficiência operacional não pode comprometer a defensabilidade fiscal. Recomendamos:
- Auditoria Retrospectiva
- Reanalisar 3 projetos antigos com novos critérios
- Protocolos de Validação
- Checklist de 15 pontos para aprovação de filtros
- Treinamento Contínuo
- Atualizar equipes sobre jurisprudência recente



